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A Caixa Econômica Federal (CEF) estuda o lançamento, até o final do ano, do cartão aluguel. O objetivo é facilitar a vida dos 6,5 milhões de inquilinos no Brasil, cerca de 94 mil pessoas só no Distrito Federal, de acordo com dados da Associação dos Dirigentes de Empresas do Setor Imobiliário (Ademi). O cartão substituiria as exigências de fiador, caução, seguro-fiança ou título de capitalização, requisitos que entravam o crescimento desse setor e dificultam a vida dos locatários.
Segundo a CEF, o projeto para a adoção da medida se encontra no início. Ainda serão feitos estudos de viabilidade econômica e pesquisa de mercado. Só depois disso é que a direção da instituição financeira analisará se dá ou não seu aval à solicitação do cliente.
A intenção, revelou o vice-presidente de Negócios Bancários e Imobiliários, Fábio Lenza, é que os inquilinos interessados em ter o cartão aluguel façam seus cadastros nas agências da Caixa após o lançamento do produto.
Caberá à instituição financeira analisar a capacidade de pagamento do locatário e decidir pelo valor do crédito que lhe será concedido. Com isso, o inquilino se apresentará à imobiliária e escolherá o imóvel que se enquadra às suas necessidades, apresentando o cartão para finalizar o contrato. Ficará por conta da CEF fazer o pagamento mensal ao locador e o inquilino pagará mensalmente seu extrato do crédito à Caixa.
Dificuldades
Hoje, o inquilino enfrenta inúmeras dificuldades para cumprir as exigências das imobiliárias para fechar um contrato de locação. Preocupadas com a inadimplência mensal do setor, estimada em 6% ao mês, segundo o diretor-secretário do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Luiz Cláudio Nasser, as imobiliárias utilizam os fiadores, a caução, o seguro-fiança e o título de capitalização para evitar o calote.
Geralmente, informa, o mercado exige dois fiadores, sendo que um deles tem de possuir casa própria. A caução varia de três a seis meses do valor do aluguel e só é devolvida ao final do contrato, se não houver inadimplência. Já o seguro-fiança equivale a até 15% do total contratado, incluídos IPTU, luz e condomínio, o que equivale ao valor de um aluguel e meio, em média.
Para os que têm dinheiro para pagar a caução, há a possibilidade de utilizar o título de capitalização ou mesmo a poupança. Nesse caso, o contrato entre as partes é firmado trocando o valor da caução pela aquisição de um título ou aplicação. No final do contrato, o locador autoriza o resgate. A vantagem nesse caso é que o dinheiro será corrigido ao longo do tempo.
"Não há dúvida que estes mecanismos entravam o crescimento do setor, mas trazem garantia para o locador. Quanto mais simplificar, com segurança, melhor", afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Comerciais e Residenciais (Secovi), Miguel Setembrino.
Exigências são enormes
A cabeleireira Antônia Teixeira, 42 anos, há cinco anos moradora de Brasília, é uma das que esperam com ansiedade a decisão da Caixa Econômica Federal (CEF) sobre o cartão aluguel. Enfrentou toda a burocracia das imobiliárias para fechar uma locação no Sudoeste, mas não conseguiu fiador para que sua filha, como ela, morasse no Plano Piloto.
"As empresas exigem dois fiadores, um deles com casa própria. Como sou de fora, vim da Bahia para trabalhar, não conheço muitas pessoas a quem possa pedir isso. Assim, a alternativa foi alugar um casa para minha filha numa cidade satélite", conta, imaginando que se tivesse o cartão "isso não teria acontecido e alugar um imóvel seria menos complicado".
Descomplicar é, também, a expectativa de Paulo Izídio dos Santos, dono de imobiliária há 14 anos em relação ao futuro produto da CEF. "Se a desburocratização vier, certamente, o crescimento do mercado reagirá de maneira favorável, já que caberá à instituição financeira checar se o inquilino é bom pagador ou não. Caso isso não ocorra, o quadro do setor não mudará", assegura.
Giro de imóveis
A desburocratização dos contratos com o aval da Caixa traria segurança às transações, estimularia a realização de negócios, aumentaria o giro de imóveis e a compra de unidades para locação, acreditam os especialistas da área.
"Vamos esperar para ver o que acontece. Espero que o governo nos dê mais esta alternativa, facilitando e melhorando a vida do inquilino", afirma Antônia.
Se a desburocratização vier, certamente o crescimento do mercado reagirá de maneira favorável.
Fonte: Economia - Malu Pires
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