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Brasileiros são público-alvo para compra de imóveis comerciais e residenciais no país. Preço dos imóveis caiu até 30%, e dólar baixo facilita o pagamento da entrada. Brasileiros estão adquirindo edifícios do Burger King, para receber aluguel da rede de fast food, que garante contratos de até 20 anos. O mercado imobiliário norte-americano está em crise. Nesta semana, foram divulgados números que mostraram uma queda de 8% nas vendas de imóveis antigos no país em setembro - o que levou o setor ao pior resultado em oito anos. Na esteira da falta de dinheiro dos americanos para comprar imóveis - e da necessidade de muitos deles de se livrar de financiamentos que não podem mais pagar -, brasileiros estão aproveitando a baixa nos preços para investir em imóveis nos EUA a preços de cinco anos atrás. De acordo com o consultor imobiliário brasileiro Léo Ickowicz, que atua em Miami, desde o início da crise, há cerca de seis meses, os preços dos imóveis estão cerca de 30% mais baratos. E o público brasileiro que tenha pelo menos US$ 50 mil (cerca de R$ 90 mil) para dar entrada em um imóvel está sendo visto como potencial comprador de imóveis nos Estados Unidos que custem a partir de US$ 200 mil (R$ 360 mil). A Elite International Realty, empresa de Ickowicz, fez até parceria com a Imobiliária Leardi, de São Paulo, para vender unidades de US$ 250 mil em um centro comercial de Houston, no estado americano do Texas, para brasileiros. Com uma entrada de US$ 50 mil, os clientes financiam o restante em até 30 anos e pagam as prestações com o aluguel dos espaços. O investidor brasileiro Ricardo De Vincenzi, ex-diretor da multinacional Pirelli no país, hoje morando na Flórida, adquiriu uma das unidades em Houston. "A vantagem de investir no mercado comercial nos EUA é que a lei americana obriga o inquilino a pagar condomínio, seguro e impostos. Assim, o que é pago em aluguel acaba sobrando para o proprietário", ressalta. Segundo De Vincenzi, que já trabalhou no ramo imobiliário e investe em imóveis há décadas, o melhor é procurar mercados alternativos nos EUA - fora de Nova York e Miami, por exemplo -, áreas onde o preço não atingiu o pico. Segundo ele, no caso da unidade de Houston, a prestação a ser paga mensalmente é de US$ 1,5 mil, enquanto o imóvel rende US$ 2 mil por mês de aluguel. "Sobram US$ 6 mil para abater do financiamento no fim do ano", diz. Como o empresário aplica em imóveis nos EUA há algum tempo, ele vai arriscar um investimento mais ousado: De Vincenzi pretende comprar o imóvel onde funciona uma unidade do Burger King, no valor de aproximadamente US$ 1 milhão. O negócio é bom, diz ele, porque o aluguel é garantido no longo prazo, pois os contratos com grandes redes de farmácias e supermercados são firmados por até 20 anos. Conforme as fontes ouvidas pelo G1, o imóvel residencial não garante a mesma rentabilidade. Isso porque, ao contrário do que acontece na área comercial, é o proprietário quem arca com o imposto e o seguro da casa que possui. Por isso, mesmo que consiga alugar a residência, acaba sobrando uma despesa mensal, pois o valor recebido não é suficiente para cobrir as prestações do financiamento. Isso não quer dizer, porém, que os brasileiros não estejam aproveitando a redução dos preços para comprar a tão sonhada casa em Miami. Entretanto, é o mercado de residência de alto luxo nos grandes pontos turísticos que está sendo abastecido por empresários e executivos brasileiros com cerca de 60 anos de idade. “São pessoas semi-aposentadas, que buscam usufruir do imóvel”, explica Ickowicz, da Elite International Realty. Os imóveis comprados por consumidores de alta renda, explica o consultor imobiliário, custam entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões. E a idéia dos compradores é aproveitar longas férias em casas luxuosas e garantir, ao mesmo tempo, o futuro dos herdeiros. Fonte: Portal G1 de Notícias
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