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Engenheiro desenvolve tijolo ecológico no RS

O lodo resultante do processo de tratamento de água pode deixar de ser um problema ambiental e econômico para tornar-se um componente das paredes na construção civil. É o que indica uma pesquisa feita pelo engenheiro civil Rafael Pinto da Cunha durante sua graduação na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, que mostrou a viabilidade de misturar o resíduo à argila na fabricação de tijolos.

 

Para tornar a água captada de mananciais em água potável, as estações de tratamento usam sulfato de alumínio, que, por reações químicas, aglomera impurezas como fósforo, manganês e bário, levando-as para o fundo do tanque. A prática de retirar o lodo para devolvê-lo ao rio ou deixá-lo em algum terreno está com os dias contados. Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) exige que o resíduo seja encaminhado a aterros sanitários.

 

Na experiência que fez sob orientação da professora Ediane Rosa, Cunha retirou o lodo de uma estação da Companhia Rio-Grandense de Saneamento (Corsan) e esperou que o material secasse para depois incorporá-lo à argila na fabricação de sete tijolos. “Por nossos testes de absorção e resistência, os tijolos se classificam como bons para vedação (fechamento de paredes), mas não para suportar cargas como num pilar”, relata Ediane.

 

Como o tema não se esgotou, Cunha seguirá com sua pesquisa na pós-graduação, que pretende iniciar este ano. Na seqüência do trabalho experimentará variações da mistura, com porcentuais diferentes dos 20% de lodo desidratado e 80% de argila que usou nos primeiros tijolos. Também fará outros testes, para verificar a carga suportada pelo tijolo e que resíduos ele deixaria em caso de demolição. “Talvez possamos evoluir para uma telha com a mesma composição”, acredita o engenheiro civil.

 

O produto tem perspectivas comerciais, mas não há, até o momento, fabricantes decididos a incorporá-lo às suas linhas de produção. O que é certo é que os testes prosseguirão, sempre sob a ótica dos ganhos ambientais. “O tijolo é duplamente ecológico, porque reduz a retirada de argila do meio ambiente e porque aproveita o resíduo que iria para a terra”, afirma Cunha.

 

Elder Ogliari — Fonte: O Estado de S. Paulo

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