Os apartamentos localizados em bairros nobres da Capital foram os que mais se valorizaram para venda no início deste ano. No sentido inverso, os das regiões mais populares ficaram mais baratos.
Isso é o que mostra pesquisa mensal do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), divulgada ontem.
O valor médio do metro quadrado de apartamentos com mais de 15 anos de uso para venda em bairros nobres da Capital aumentou 7,93% entre janeiro e fevereiro de 2008. Pelo levantamento, o valor passou de R$ 1.310,78 em janeiro para R$ 1.414,76 em fevereiro e se refere a apartamentos que o Creci-SP define como de nível médio: de duas a quatro unidades por andar, azulejos decorados, cerâmica simples, caco de mármore no piso, carpete sobre cimento ou taco, entre outras características. Os valores se referem ao conjunto de áreas reunidas no que a pesquisa identifica como Zona B da Capital. Em contrapartida, o valor do metro quadrado no grupo de bairros da Zona D, mais popular, baixou 7,18%, de R$ 1.633,54 em janeiro para R$ 1.544,17 em fevereiro (veja quadro ao lado).
Para João Lima Júnior, professor da Escola Politécnica Da Universidade de São Paulo (Poli-USP), o aumento nos bairros nobres ocorre como conseqüência da valorização dos imóveis novos e do boom da construção civil. "Os imóveis usados se valorizam na esteira dos demais", afirma. Segundo José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP, trata-se de uma oscilação normal de mercado.
O aumento do crédito e a maior concorrência entre os bancos no que diz respeito a prazos e juros dos financiamentos também têm servido para manter o setor aquecido. Esta semana, as atenções se voltam para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que pode elevar a taxa básica de juros, a Selic. Porém, Viana Neto não acredita que um possível aumento da Selic em 0,25 ponto porcentual vá prejudicar a oferta de crédito. Ele afirma, que uma alteração nos juros neste momento, no valor esperado, não afetaria as taxas para financiamento oferecidas pelos bancos.
Cuidados
Erwin Sipereck, técnico da Fundação Procon de São Paulo (Procon-SP), diz que antes da definição da compra é preciso atenção a pontos que vão desde o estado físico até a situação jurídica.
A primeira tarefa, explica o técnico, consiste numa visita ao local para verificar pessoalmente o estado do imóvel. Em caso de necessidade de reformas, observa ele, é importante discutir com o vendedor um abatimento no preço, caso o trabalho vá ser realizado pelo futuro dono. Sipereck lembra que é fundamental checar nos cartórios de registros a condição do imóvel.
Fonte: Agência Estado