Quem pretende financiar a compra da casa própria não pode reclamar de falta de crédito na praça. No primeiro quadrimestre de 2007, quando muita gente acreditava que a bolha imobiliária tinha atingido seu tamanho máximo, o volume de empréstimos para habitação era de R$ 150 bilhões.
Poupança financia R$ 7,5 bilhões
Mas, de lá para cá, o montante não parou de crescer.
Só nos quatro primeiros meses de 2008, já chegou a R$191 bilhões - uma alta de 27% em comparação ao mesmo período do ano passado. "Sem dúvida, a expansão da oferta de crédito, principal motor do mercado imobiliário, permitiu que vários brasileiros saíssem do aluguel no último ano", afirma Alcides Leite, consultor da Trevisan. Hoje, além de o crédito imobiliário ser farto, ele também é mais barato e pode ser pago em mais tempo.
Há quatro anos, quando o mercado começou a trilhar o caminho do crescimento, os juros giravam em torno de 12% ao ano, e o prazo máximo de financiamento não passava dos 20 anos. O volume de crédito disponível era quase a metade do atual: R$ 99 bilhões no primeiro quadrimestre de 2004. Agora, boa parte dos bancos aplica taxas de 8% e dá até 30 anos para pagar. "Com prazo maior e juros menores, as prestações ficaram mais baratas. Assim, uma nova parcela de consumidores passou a ter condições de financiar a casa própria", declara o consultor Wilson Gomes, da Associação Brasileira de Moradores e Mutuários (ABMM).
Mas para que o mercado chegasse a oferecer tantas vantagens ao consumidor, um longo caminho teve de ser percorrido. Um dos primeiros passos dados nesse sentido foi a aprovação da lei 10.931, em agosto de 2004. Antes dessa regra, a garantia dos financiamentos era a hipoteca. Depois passou a ser a alienação fiduciária. Isso significa que se o mutuário ficar inadimplente por três meses consecutivos, o credor pode retomar o imóvel.
"Ao diminuir o risco do empréstimo, dando como certa a retomada do bem no caso de falta de pagamento, os bancos puderam baixar os juros", diz José Pereira Gonçalves, superintendente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
A estabilidade da economia brasileira e o aumento da renda dos trabalhadores também ajudaram. "Uma das principais justificativas para inadimplência no financiamento imobiliário é a perda do emprego", diz Gomes, da ABMM. "Mas como o número de postos gerados é crescente, os bancos ficam com menos receio de financiar os imóveis a prazos longos."
Porém, segundo Gomes, o crescimento da oferta de crédito imobiliário não pode ser encarado apenas de forma positiva. "Tem muita gente que se encanta com as facilidades e compra a casa por impulso", afirma Gomes. Além disso, com o aquecimento, o preço dos imóveis tende a ficar mais alto. "Portanto, é preciso avaliar se essa é mesmo a melhor hora para comprar."
Fonte: Agência Estado