Um campo ainda dominado pela Caixa Econômica Federal, os financiamentos imobiliários vêm atraindo maior interesse das instituições bancárias privadas. Elas estão de olho no volume bilionário de recursos disponíveis neste ano – a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip) estima que o brasileiro vai emprestar dos bancos R$ 25 bilhões para a compra da casa própria –, volume captado do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), principal fonte de dinheiro para financiamento imobiliário no país.
Até maio já foram emprestados em todo o país R$ 9 bilhões para financiamentos imobiliários. A CEF continua na liderança e responde por mais de 50% (quase R$ 5 bilhões) deste volume, porém com uma hegemonia menor que em anos anteriores, quando chegava a 80%. “Os bancos privados estão emprestando mais e tomando espaço neste bolo”, diz Osvaldo Correa Fonseca, diretor da Abecip. A instituição calcula que estas empresas (entre elas, HSBC, Itaú, Santander, Banco Real e Bradesco) duplicaram o seu número de financiamentos no último ano.
O aumento começou só a partir de 2004, quando o Banco Central (BC) passou a editar regras regulamentando o uso dos recursos do SBPE. Antes só a Caixa seguia as normas mais rígidas, e por isso, oferecia as melhores condições. Como o foco desta modalidade são classes baixa e média, o BC estabelece valor máximo de R$ 350 mil para os imóveis a serem financiados (com exceção da Caixa e Banco do Brasil). Além disso, o contratante não pode ter outro imóvel e os bancos devem cobrar juros inferiores a 12% – regras que formam o chamado Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
Vantagens - Tanto para Abecip quanto para profissionais que trabalham diretamente com a venda de imóveis, o resultado do maior interesse dos bancos privados pelos financiamentos é uma concorrência benéfica para o comprador. É o que resume o corretor imobiliário Daniel Galiano, diretor de vendas da Apolar Imóveis: “Quanto maior a competitividade, melhor para o consumidor”, diz. “O resultado já aparece nas taxas de juros cobradas. Os bancos estão mantendo médias compatíveis com as alíquotas da Caixa”, afirma outro corretor, Gilberto Lyra, da LS Assessoria Imobiliária. Antes a alíquota variava de 12% a 16%. Além das taxas reais de juros os bancos cobram as de administração do financiamento. “Com esta disputa, a tendência é que este valor (que gira em torno de 1% ao ano) caia para atrair os clientes”, completa Lyra.
Estratégias - As taxas mais competitivas não são a única estratégia dos bancos. Muitas instituições buscam soluções ainda mais ousadas. O HSBC permite que se parcele, junto com o financiamento, documentos para regularização do imóvel, como registro, escritura e Imposto por Transmissão de Bens (ITBI). Já o Santander, oferece planos com opção de o cliente ficar um mês por ano (a escolher) sem precisar pagar a parcela.
O administrador Octávio Siqueira Osternack encontrou em um banco privado o que precisava: rapidez no processo. “Pesquisei e optei por um banco onde tudo (análise e aprovação do crédito) foi resolvido em poucos dias”, conta Osternack, que praticamente não precisou sair de seu escritório para conseguir o financiamento do apartamento que mora atualmente. “Uma agente do banco vinha até aqui resolver tudo”, diz.