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Os consórcios de imóveis estão em ascensão, na esteira do impulso observado no financiamento imobiliário. Um dos motivos é serem vistos como uma opção interessante, por exemplo, para quem já tem um imóvel quitado e quer adquirir um segundo para deixar como herança aos filhos.
Dados do Banco Central mostram que todas as aquisições e construções de imóveis habitacionais feitas no âmbito do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) de junho de 2007 a maio deste ano somaram 215 mil unidades - alta de 64,66% frente a igual período anterior.
Na área dos consórcios, os resultados também são, de modo geral, crescentes. O total de clientes ativos chegou a 486,9 mil em maio, 13,3% a mais em relação ao registrado um ano antes. De janeiro a abril, as contemplações (quando o consorciado recebe a carta de crédito para adquirir um imóvel) também cresceram, ao totalizar 19,4 mil, 27,2% mais que no mesmo quadrimestre do ano passado.
Apesar de, no início deste ano, a comercialização de novas cotas ter observado ligeiro recuo (de 1,4%) - de 64,4 mil de janeiro a abril de 2007 para 63,5 mil nos quatro primeiros meses deste ano - isso não alterou os prognósticos otimistas do segmento para 2008.
Para o presidente da Abac (Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios), Luís Fernando Savian, o ano começou um pouco travado para a atividade em função da oferta de crédito que favorece o financiamento, mas a expectativa é de que o setor fechará com crescimento de 20% em relação ao ano passado.
A elevação dos juros, que dificultam o acesso ao crédito, e a entrada de concorrentes de peso - o Banco do Brasil anunciou há poucos dias a entrada no consórcio imobiliário - devem alavancar esse mercado, na avaliação do dirigente.
O Banco do Brasil não quis ficar de fora desse filão, que em 1998 correspondia a 18% do Sistema Financeiro da Habitação, em 2007 já representa 21% e neste ano deve crescer pelo menos 15%, segundo estimativa do gerente do BB Consórcio, Agnaldo Pereira Miguel.
Para Savian, o financiamento continua sendo a melhor opção para quem tem pressa e precisa do imóvel novo de imediato, para se livrar do aluguel, por exemplo. "Mas no plano de consórcio, o custo é menor e não há incidência de juros. Serve como uma poupança programada", avalia.
NA REGIÃO
Embora não haja estatísticas consolidadas do setor para o Grande ABC, algumas administradoras relatam o forte desempenho de vendas de cotas na região.
A Remaza Novaterra observou, no primeiro quadrimestre, para as unidades de Santo André, São Bernardo e São Caetano, alta de 22,3% frente a igual período do ano passado. "A previsão é que tenhamos em 2008 um aumento em torno de 28% em relação ao ano passado", disse o diretor comercial, Ricardo Jacques de Carvalho.
A Porto Seguro Consórcio registrou o acréscimo de 22% no número de clientes ativos no Grande ABC de janeiro a abril, frente a igual período de 2007. A região é importante para a administradora. Concentra mais de 10% dos consorciados de imóveis da empresa.
Bancos miram no consumidor de alta renda e no popular
Com a expansão do mercado, as administradoras de consórcio buscam atingir classes de renda mais alta e também as mais populares.
O Banco Real, por exemplo, acaba de lançar um produto para imóveis entre R$ 30 mil e R$ 70 mil, que permite o pagamento em até 150 vezes e parcelas a partir de R$ 265,54. Até então, o banco só tinha consórcio para bem acima de R$ 100 mil.
"Nosso intuito é viabilizar, de forma planejada e sem endividamento, a realização de projetos dos nossos clientes", disse João Vitorino, diretor-superintendente de consórcio.
A Caixa Econômica Federal, por sua vez, amplia suas apostas em clientes de alto poder aquisitivo. Atualmente, 17% dos clientes da empresa buscam cartas de crédito acima de R$ 100 mil. A expectiva da Caixa é de que, após o recente aumento do limite das cartas de crédito, de R$ 200 mil para R$ 300 mil, esse percentual deve subir ainda mais nos próximos meses. A meta é encerrar o ano com 20% de consorciados na faixa de renda A e B.
O Banco do Brasil iniciou a venda de cotas com prazo de 200 meses - o maior entre os concorrentes bancários - e valor de cartas de crédito que varia de R$ 30 mil a R$ 300 mil. "A gente se estruturou para atender tanto as classes A e B quanto a C e D", disse o gerente do BB Consórcio, Agnaldo Pereira Miguel.
Na linha popular, a instituição criou um produto de R$ 30 mil que oferece redução do valor da parcela nos primeiros 100 meses (R$ 158 nas primeiras dez e R$ 128 da 11ª até a 100ª) com acréscimo nas 100 últimas (parcelas de R$ 278,59). A idéia é oferecer facilidades a quem mora de aluguel para realizar o sonho da casa própria.
Financiamento é adequado a quem tem pressa de comprar
Especialistas avaliam que, para quem tem pressa e quer se livrar do aluguel, a melhor alternativa é o financiamento imobiliário. "A primeira questão a avaliar é a urgência. Com o financiamento, a pessoa troca o aluguel pela prestação da casa própria", disse o economista Francisco Funcia, da USCS (Universidade Municipal de São Caetano).
Isso porque o consorciado pode obter a carta de crédito para ter a casa própria se for sorteado, se der um lance ou ao final do período (que pode chegar a 200 meses).
No caso de uma pessoa que já tem um imóvel quitado e quer se programar para ter uma casa maior, ou uma segunda residência, no campo, na praia ou ainda se quer estabelecer um patrimônio para deixar para os filhos, a alternativa se mostra interessante.
Nessa modalidade não há a incidência de taxa de juros, apenas uma taxa de administração, um fundo de reserva e um seguro prestamista, que têm custos bem mais amenos e é possível utilizar o FGTS nos lances ou para complementar a carta de crédito.
Tanto no financiamento quanto nos consórcios, os especialistas recomendam que não se deve comprometer mais do que 30% da renda mensal e é importante pesquisar as opções existentes no mercado.
NOVA CASA
A idéia de fazer uma compra programada foi o que atraiu o aposentado José Liberato Daga, 57 anos, de Santo André, que adquiriu na Caixa Econômica Federal em 2006 uma cota para pagar em 120 meses. Depois de três meses, foi sorteado.
Daga resolveu deixar a carta de crédito rendendo juros, em investimento feito pela própria Caixa, durante quase dois anos. Depois, vendeu o imóvel que já tinha e agora está adquirindo uma casa mais ampla. "Fiz um bom negócio. Tinha carta de R$ 55 mil e estou pegando R$ 64 mil."
Tauna Marin, Leone Farias — Fonte: Diário do Grande ABC
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