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A Caixa Econômica Federal estuda a criação de uma linha de crédito especial para socorrer as empresas de construção civil que estejam com dificuldades para captar recursos devido à crise no mercado financeiro. “O governo quer apoiar a construção civil que é um dos principais setores que impulsionam o crescimento do país”, reforçou a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, por meio de sua assessoria de imprensa. Na quinta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que um conjunto de medidas de estímulo para o setor pode ser anunciado na próxima semana. Além de uma nova modalidade de crédito, não está descartada a possibilidade de corte de tributos. Segundo um técnico da Caixa, a nova linha terá como objetivo atender as empresas que captaram recursos no mercado financeiro por meio de emissão de IPO — Oferta Pública Inicial de ações — para comprar terrenos, e que agora, com o agravamento da crise no mercado financeiro, não têm de onde retirar dinheiro para investir nos empreendimentos já prometidos. “Essas companhias não trabalhavam com um cenário de caos como estamos vendo. Não dá para esperar uma empresa quebrar, como aconteceu nos Estados Unidos, para adotarmos medidas”, afirmou o técnico. “Não será uma linha de crédito convencional”, acrescentou. Na avaliação do governo, o setor de construção civil não atravessa dificuldades neste ano, mas são necessárias medidas preventivas para evitar que a escassez de crédito prejudique a expansão do setor, o que implicaria, por exemplo, demitir trabalhadores. Apenas turbulência A lógica que serve para a construção civil, ao que parece, pode se estender a outros setores. Pelo menos é o que defende a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Em Belo Horizonte, a ministra disse que a prioridade do governo federal “no enfrentamento da crise” é manter o crescimento das taxas de emprego no país. Para isso, destacou Dilma, será preciso garantir a concessão de crédito às empresas. A ministra-chefe da Casa Civil ressaltou ainda que “o governo não quebra” diante dos efeitos da turbulência global. “Também não somos autistas, nós não achamos que a crise não chegue ao Brasil de uma forma ou de outra”, destacou, ao participar de um encontro com empresários na cidade de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. “Nós temos condições de lutar para que essa situação seja minimizada e não tenha os efeitos destruidores que tiveram no passado, como em 2002, quando o Brasil chegou praticamente à quebradeira”, comparou, observando que o governo está bastante atento para “providenciar todas as medidas que garantam que se mantenha o emprego”. “Para isso nós vamos precisar necessariamente que as empresas continuem funcionando. E para isso nós vamos precisar de assegurar o crédito.” Segundo Dilma, a confiança de que a atual crise terá impacto menor no Brasil se baseia em medidas tomadas nos últimos anos e que tornaram o país mais forte para enfrentar o cenário internacional adverso. Segundo a ministra, antes o país costumava quebrar “quatro dias depois” de uma crise internacional.
Fonte: Correio Braziliense
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