Com a instabilidade da economia global, os investimentos em bens tangíveis vêm ganhado corpo. Pelo menos é isso que vem ocorrendo no caso da CFL Construções, a incorporadora gaúcha que bateu o próprio recorde de vendas justamente no mês mais tenso do ano. Em outubro, a empresa vendeu R$ 16 milhões em apartamentos de alto padrão - que custam entre R$ 800 mil e R$ 4
milhões cada. Com o volume negociado, é provável que a incorporadora alcance a meta de faturar R$ 90 milhões neste ano. "Atendemos compradores de alto padrão, que não estão muito suscetíveis à crise de crédito e que acreditam que os nossos imóveis têm, de fato, valor agregado", explica Luciano Bocorny Correa, diretor de incorporações da CFL.
O executivo afirma que o quadro de clientes da incorporadora é formado por pessoas que não sentem diretamente os efeitos da escassez de crédito no mercado. Exatamente por isso, elas buscam investimentos alheios ao mercado financeiro - uma vez que a renda fixa paga juros baixos e as bolsas de valores estão, ainda, bastante instáveis. No entanto, para o consultor financeiro Jurandir Sell Macedo algumas pessoas se enganam ao avistar no mercado imobiliário uma opção segura para aplicarem suas economias. "Tudo [a crise] começou com os imóveis que perderam valor nos Estados Unidos. As pessoas tendem a se iludir que possuem um imóvel que vale certo valor e esquecem que ele está sujeito a desvalorizações", explica Macedo.
Já Correa, da CFL, defende a aposta tese de que a crise norte-americana foi deflagrada por uma realidade bastante diferente à brasileira. "Como oferecemos imóveis em zonas nobres, os terrenos são escassos, o que sempre adiciona valor ao bem", justifica.
Fonte: Fernanda Arechavaleta